Parque Alvorecer, em Pato Branco | Crédito imagem: Ass. de Imprensa da Prefeitura de Pato Branco/Rodinei Santos
A Região Sudoeste do Paraná reserva aos visitantes o contato com atrativos únicos da natureza

O impacto foi equivalente a 250 mil bombas iguais a que destruiu Hiroshima | Crédito imagem: Nat Hero
Ocupada a milhares de anos por índios tupi guaranis e caingangues, classificada como terra espanhola à esquerda do Tratado de Tordesilhas, disputada por Brasil e Argentina, pretendida pelo estado de Santa Catarina, integrante do então Estado do Iguaçu. Embora repleta de história, a Região Sudoeste do Paraná tem uma recente constituição político-administrativa. A maioria de seus 42 municípios não tem mais de 75 anos de fundação, à exceção de Palmas, um dos primeiros do Paraná, com 140 anos de emancipação e de Clevelândia com 127 anos.
Em busca dessa região promissora, houve – a partir da década de 1940 até o fim dos anos de 1970 –, uma onda migratória do Sul do Brasil para o Sudoeste paranaense: a população regional, que era de 40 mil habitantes passou para 445,5 mil, revelou o senso do IBGE de 1970. Solo rico, abundância de madeiras e erva-mate impulsionaram a chegada de novos moradores. Foi nesta leva que uma parte dos meus familiares chegou à região, oriunda do Rio Grande do Sul, para suprir a carência de mão de
obra especializada em mecânica, ferraria e chapeação.

A abertura de estradas rurais e o acesso rodoviário permitiram que o Sudoeste fosse conectado, divulgado e seus atrativos turísticos conhecidos. A região é rica em belezas naturais, resultado da miscigenação de povos e conta com fenômenos raros, como a Cratera de Vista Alegre, em Coronel Vivida – uma cratera de impacto de cerca de 9,5 km de diâmetro, consequência da colisão de um meteorito com a Terra há mais de 130 milhões de anos.

Preservação Ambiental
Apesar da intensa extração de árvores de araucária no ciclo econômico da madeira, Chopinzinho defende o título de maior reserva natural de araucária do mundo, localizada em terras indígenas com área superior a 11 mil hectares e, como é rica em recursos minerais, como ametista, cristal, ágata e citrino, considera-se a Capital das Pedras no Paraná.
A região também possui diversos espaços de preservação ambiental como o Parque Alvorecer (Parque Estadual Vitório Piassa), com mais de um milhão de metros quadrados de mata nativa, em Pato Branco, aberto à visitação, de terça-feira a domingo das 7h às 21h e, nas segundas-feiras, das 16h às 21h. Também em Pato Branco é possível visitar o Parque Cecília Cardoso, um espaço particularmente especial por ter sido terras de minha avó e levar seu nome. Ali é possível realizar caminhadas em meio à mata preservada e são promovidos shows e espetáculos artísticos.
Quem passa por Coronel Vivida também poderá admirar as 92 cachoeiras catalogadas, de 2m a 60m de altura. O instrutor de rapel, Luiz Ogrodowski Junior, conta que um terço das quedas tem altura superior a 20m e para a prática de rapel o ideal são as maiores de 30m e cita a Cachoeira do Hermann como a de melhor acesso e uma das mais belas da cidade.

Apesar de não estar localizado no Sudoeste, mas muito próximo da região, em Pinhão, nos arredores da Usina de Foz do Areia, é possível visitar o Jardim Botânico de Faxinal do Céu, uma área de 152 hectares de mata preservada que abriga espécies da flora dos cinco continentes. Na Vila dos Trabalhadores o visitante pode realizar turismo ecológico e de educação ambiental. A Vila de Faxinal do Céu é aberta ao público, com serviço de hospedagem para até 1.200 pessoas. Recebe ao ano mais
de 20 mil visitantes.
Atrativos Turísticos

O frio é um atrativo à parte. Em Palmas, a cidade mais fria do estado, a precipitação de neve é frequente no inverno, principalmente na região de campo aberto do Horizonte, onde a altitude chega a 1.340m. A combinação geográfica e o alto potencial eólico permitiu ali a instalação da primeira usina eólica do Sul do Brasil, em 1999. A visitação ao local é possível mediante agendamento e depende da programação dos trabalhos
a serem executados pelas equipes de operação e manutenção do parque eólico.

As baixas temperaturas registradas no inverno são essenciais para a boa qualidade das maçãs produzidas em Palmas, que precisam de no mínimo 600 horas de frio abaixo de 7,2ºC por ano. A cidade é a maior produtora de maçã do estado, registrando a colheita de 10 mil toneladas do produto em 2018. À época da florada das macieiras, as fazendas são presenteadas com um verdadeiro espetáculo da natureza.

As águas termais, com vazão de aproximadamente mil litros por hora, a 36,5ºC de temperatura, são responsáveis por abastecer o complexo aquático Hotel e Resort Águas do Verê Termas, que recebe anualmente 22 mil pessoas. O espaço permite que o visitante usufrua do day-use, com acesso por um dia de todas as piscinas ou se preferir, fique hospedado no hotel ou na Pousadas das Fontes. O hotel possui ainda um centro de convenções para 120 pessoas e um espaço para eventos e casamentos com capacidade para 600 pessoas. Além de Verê, a região conta com outros parques termais, como as Thermas de Sulina, em Sulina, e a Anila Thermas, em Francisco Beltrão.
Não muito longe dali, encontra-se Dois Vizinhos onde foi instalado o Zoológico Unisep. Em uma área de 30 mil metros quadrados são abrigados 370 animais de 100 espécies diferentes. Todos os recintos seguem as normas estabelecidas pelo Ibama. A União de Ensino do Sudoeste do Paraná (Unisep) é uma das únicas instituições de ensino do país com zoológico em seu campus. O espaço não é aberto apenas aos alunos. Visitas externas podem ser realizadas às sextas-feiras, aos sábados e aos domingos.

Para contar a história dos pioneiros da região, Francisco Beltrão criou em 2004, o Museu da Colonização, com um acervo de peças utilitárias da vida diária dos colonizadores, localizado no Parque Jayme Canet Júnior.
Turismo de Eventos
Situada a 119km da fronteira com a Argentina, 29,7km de Santa Catarina, Pato Branco se destaca no turismo de eventos e promove, em edições bianuais, a Feira Casa e Construção – onde são apresentadas as tendências e inovações na engenharia, arquitetura, decoração, setor moveleiro, design e serviços –, a Exposição Agropecuária (Expopato), Comércio e Industrial de Pato Branco), a Inventum – feira que demonstra a produção científica, tecnológica e as inovações geradas na cidade. São realizadas palestras e ações envolvendo os setores de empreendedorismo, tecnologia e inovação. O evento conta com a participação de mais de 110 mil pessoas, com a próxima edição agendada para 2021. Desde 2005, a cidade organiza todos os anos o Natal de Pato Branco, um espetáculo a céu aberto, com show de luzes, ornamentação e apresentações culturais.
A cidade de São João promove anualmente, em junho, a Festa da Fogueira e, desde 2010, exibe o título de Maior Fogueira do Brasil, com 62,2m de altura, homologado pelo Ranking Brasil.
Toda segunda quinzena de janeiro, Mariópolis organiza, durante três dias, a Festa da Uva, com a visitação de mais de 50 mil pessoas atraídas pela comercialização da uva in natura, produtos coloniais, vinhos e programação cultural, artística e gastronômica. Evento semelhante é sediado em Salgado Filho, em julho, a Festa do Queijo e do Vinho, que evidencia fortemente a influência alemã e italiana na colonização, gastronomia e hábitos e, em Candói, no mês de agosto, a cidade recebe a Festa Nacional do Charque, quando a história dos tropeiros é rememorada com a gastronomia e o rodeio de touros e cavalos.
Em dezembro, Coronel Vivida realiza o Festival Gastronômico Sede do Sabor com a comercialização de mais de 75 pratos da culinária do Sul do Brasil.

Turismo Religioso
Quando o assunto é religião, o Sudoeste não foge à regra brasileira e também declara que Deus é nascido em terras tupiniquins. Apresenta uma variedade de crenças, influência esta, vinda, principalmente, com os povos colonizadores. Em Mangueirinha, nos meses de janeiro, voluntários organizam a Procissão dos Navegantes que percorre os Lagos do Iguaçu, da Usina de Salto Segredo e, há mais de 120 anos, mantem-se a tradição da procissão na madrugada da Sexta-feira Santa, com batismos na fonte e coleta de água utilizada como benta em situações especiais.
Os eventos religiosos passam pela Romaria, em Cruzeiro do Iguaçu; a Gruta de Frei Galvão, em Pato Branco; além da Marcha para Jesus, realizada em diversas cidades da região.
Em Francisco Beltrão os visitantes revivem o trajeto da Via Sacra, subindo o Morro do Calvário onde encontra-se uma imagem do Cristo Redentor com mais de 20m de altura.

Excentricidades
A região também apresenta costumes singulares, como a Olimpíada Rural, realizada em Coronel Vivida, nos meses de julho. Uma competição nas mais variadas e curiosas modalidades, como Caça a Galinha, Corrida do Porco, Debulhar Milho, Carrinho de Mão e Cabo de Guerra.
Em Pato Branco, o turista pode apreciar o X-polenta, apelido do lanche Polentô, registrado há 10 anos pelo Patô Lanches. Trata-se de um farto sanduíche de 910g, que substitui as duas fatias de pão por polenta, repleto de bacon, calabresa, queijo, tomate, ovo e rúcula. Mas não se assuste, existe a possibilidade de solicitar meia porção e há variações dos recheios. Hugo Recalde Gomez conta que o produto surgiu após uma análise do mercado regional. “A maioria dos habitantes tem origem italiana e sabemos da grande atração por polenta. Inicialmente era pra ser uma pizza e, no lugar da massa, a polenta, mas realizando testes com diversos ingredientes chegamos ao lanche. A maciez da polenta, o amargor da rúcula com os cortes do porco e a peculiaridade do provolone trouxeram um equilíbrio perfeito. Por 10 anos mantivemos apenas um sabor, hoje temos oito”, conta.

Ainda na gastronomia, Ampére tem como prato típico o Porco Pizza e Capanema recebeu do Sebrae/PR o selo de Indicação Geográfica pelas qualidades particulares no melado e no açúcar mascavo produzido.
Localizado entre os municípios de Vitorino (PR) e Jupiá (SC), o Morro do Divisor é uma atração que tem ganhado cada vez mais visitantes. Com altitude de 1.100m acima do nível do mar e com 300m de desnível, a área de 10 alqueires é utilizada exclusivamente para a prática de parapente. Para outros esportes, como mountain bike, trilhas e Byke Downhill (descida em alta velocidade), é necessária a permissão dos proprietários do local.
O acesso por Vitorino é pela Comunidade Fartura, em 7km de estrada com calçamento, seguindo mais 11km de trajeto sem pavimentação, até a Linha Pinheiro.
O Sudoeste do Paraná é o quintal do futsal brasileiro. A excentricidade do tema revela-se nos clássicos das penas: Galo do Sudoeste, de Dois Vizinhos; Marreco, de Francisco Beltrão e Pato Futsal, de Pato Branco, esse último bicampeão da Liga Nacional de Futsal e, eleito pela Agla Futsal Awards, o quinto melhor time de futsal do mundo. A equipe Pato Basquete participa do Novo Basquete Brasil (NBB), a liga oficial do basquete brasileiro.



Conhecer ainda mais a história dessa terra, poder contá-la, faz-me recordar do trecho escrito pelo professor Sittilo Voltolini, em seu livro Retorno – origem de Pato Branco. Ele defendia que “do conhecer nasce a crença, o entusiasmo, a ufania, o brio, o amor” e, pelos corredores e salas de aula do antigo Cefet, recomendava: “Pato-branquense, o Brasil, ame-o aqui!”.
– Professor Sittilo, no Sudoeste aprendi a amar meu país, o meu lugar.
Texto: Silvia Bocchese de Lima*
Revista Fecomércio PR – nº 134
*Nascida em Pato Branco, Silvia Bocchese de Lima é uma ferrenha defensora da sua cidade e da região. Trabalhou em Palmas e, há 11 anos, mora em Curitiba.
