Casa da Erva-Mate, em Bento Gonçalves - RS | Crédito imagem: Silvia Bocchese de Lima
Bento Gonçalves, município da Serra Gaúcha, tem muito a ensinar ao Paraná – principal estado produtor de erva-mate do Brasil. Embora o Paraná seja atualmente o principal produtor de erva-mate do Brasil, Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, preserva parte importante da história da cultura ervateira brasileira, mantém um espaço para preservar a história da produção, a colheita, manejo, secagem e trituração das folhas da Ilex paraguariensis: a Casa da Erva-Mate Ferrari.
Construído em 1884, o local está localizado na Linha Palmeiro, na Estrada São Pedro e faz parte do Roteiro Turístico Caminhos de Pedra e já abrigou um antigo moinho, movido pela força da água. Na área externa há uma pedra esculpida, datada de 11 de dezembro de 1880, possível data de fundação ou chegada da família Cecconello ao local.

De acordo com o projeto Laços Patrimoniais – Construindo um inventário colaborativo para Bento Gonçalves – a construção foi adaptada para Casa da Erva-Mate Ferrari apenas em 2003. A casa mostra como os imigrantes absorveram a cultura indígena de produção, consumo e secagem da erva – o hábito de consumir a bebida chegou a ser proibido no início do século XVII e tido como alucinógeno por padres jesuítas, mas o que foi chamado de erva do diabo foi considerada ouro verde da economia do Sul do Brasil.
Visitação
Durante a visita é possível conhecer na área externa as árvores de erva-mate. As plantas nativas podem chegar a 14 metros de altura se não forem podadas, mas para facilitar a colheita dos galhos, as árvores são mantidas com altura que variam de 1,5m a 2m. A colheita da erva-mate é feita por meio da poda seletiva dos ramos, preservando a estrutura da planta para garantir novas brotações e colheitas futuras.

Com propriedades antioxidantes e digestivas, a erva precisa passar pelo processo de sapeco, uma passagem rápida em fogo alto, algo em torno de cinco a seis segundos e, em seguida, pela secagem. Na Casa da Erva-Mate, ela ocorre em um forno barbaquá, um sistema tradicional de secagem indireta, onde a erva permanece por cerca de 12 horas, passando por um túnel de 6 a 8 metros de extensão, conferindo um cheiro defumado característico à erva.
Depois de seca, a erva segue para o cancheador, um equipamento utilizado para deixá-la em pedaços menores. Os povos indígenas consumiam e processavam a erva-mate muito antes da chegada dos europeus, e o sistema de secagem em barbaquá foi posteriormente aperfeiçoado e difundido também pelos jesuítas. Os indígenas faziam uma cancha no chão, colocavam a erva-mate e a quebravam com um pedaço de madeira. A casa mostra como os imigrantes incorporaram conhecimentos indígenas relacionados ao consumo e ao processamento da erva-mate
Na propriedade é possível verificar socadores de erva-mate datados de 1918, 1920 e 1940, todos em funcionamento, movidos à roda d´água.
Os visitantes podem realizar visitas a cada 30 minutos, a partir das 9h, até às 18h – a última mediação tem início às 17h30, – e o espaço só não funciona às terças-feiras.
Do outro lado da estrada, no porão da casa nº 190 encontra-se a loja da Casa da Erva-Mate Ferrari, lá é possível comprar os ingressos para a visitação, cosméticos que têm a erva-mate como ingrediente principal, bombas, cuias e opções para presentes.
SERVIÇO
Visita Guiada à Casa da Erva-Mate Ferrari
Valor: R$25,00 por pessoa
Quando: de quarta a segunda-feira
Horário: das 9h às 17h30 – a cada 30 minutos
Endereço: Linha Palmeiro, 190 – Estrada São Pedro – Roteiro Turístico Caminhos de Pedra | Bento Gonçalves-RS
